Eu não sou de reclamar!!

Monday, October 19, 2009

Receita de miojo final

Esse é um prato que certamente vai mudar a vida de todo mundo que está acostumado com aquele mesmo miojinho todo dia, aquela coisa chata e sem tempero, que provavelmente em algum momento alguém assumiu que seria aceitável pro resto da vida.

Ingredientes:

1 pacote de miojo sabor galinha caipira (ou legumes)
3 copos de água
1 panelinha
1 mochila grande

caneta e papel.


Modo de preparo

Coloque a água na panelinha e bote pra ferver. Enquanto a água ferve, vá até o quarto e saque do guarda roupa quantas peças couberem na mochila. Quando a água ferver, volte para a cozinha, abra o pacote de miojo e despeje-o na panela.
Cuidado: retire o envelope do tempero antes de colocar o conteúdo do pacote na água quente.
Cronometre três minutinhos. Enquanto isso, pegue o papel e a caneta e escreva "OBRIGADO POR TUDO. ADEUS.".
Desligue o fogo da panela, escorra o miojo até ele ficar bem sequinho. Coloque-o em um prato e despeje quase todo o tempero do saquinho. Sirva-o à mesa, colocando cuidadosamente o bilhete embaixo do prato.
Finalmente, o toque especial, que fará dele algo inesquecível: abra a porta e saia. E nunca mais volte. E volte a viver sua vida do ponto onde parou.

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Sunday, October 18, 2009

Impressionante como duas linhas de texto podem me deixar pensando por dias...

Saturday, October 03, 2009

Convertendo partituras musicais para Braille

Este post vai falar de um aplicativo chamado Delius, capaz de converter partituras digitais para Braille. Ele é uma aplicação web, de forma que não é necessário fazer nenhuma instalação e funciona independente do sistema operacional utilizado. O endereço para acesso é http://www.delius.com.br.

Ele foi desenvolvido inicialmente na intenção de prover material didático musical a alunos cegos, sobretudo do ensino superior, onde os mesmos convivem frequentemente uma tradição didática muito voltada para os sentidos visuais - a lousa pautada, uma partitura em mãos para acompanhar análises de obras, harmonias e contrapontos. Muitas vezes o professor tem necessidade de fornecer material didático adequado a um aluno deficiente visual, mas não têm conhecimento adequado nem das regras da musicografia braille nem do funcionamento de uma máquina Perkins, nem material apropriado para aprender.

Durante o desenvolvimento do módulo de conversão entre esses formatos, percebeu-se que talvez fosse tão importante quanto a própria tradução que o material traduzido pudesse ser reaproveitado. Esse pensamento foi responsável por fazer com que o aplicativo fosse desenvolvido como uma página da internet que atuasse como um repositório dessas informações, algo como uma "biblioteca virtual". Integrado com o lilypond, este repositório permite agora que cada obra possa ser disponibilizada em várias versões simultaneamente: seu original, uma versão em PDF para impressão, uma versão em braille para impressão (em uma impressora Braille) e uma versão em braille para observação visual - muito útil para o ensino da musicografia braille para videntes.

A arquitetura do Delius permite que o usuário compartilhe os arquivos caso deseje. As obras podem ser compartilhadas publicamente ou em grupos fechados, permitindo assim a criação de acervos privados, como os de bibliotecas, com restrição de acesso aos usuários pertencentes a cada grupo. Mesmo assim, cada usuário pode pertencer a mais de um grupo simultaneamente.


O funcionamento do Delius é muito simples. Basicamente, o usuário cadastrado deverá fazer upload do arquivo que deseja transformar e após isso mandar gerar uma versão em Braille. O formato de arquivo que é aceito pelo aplicativo é o MusicXML. Este formato é, hoje em dia, compreendido pela maioria dos softwares de notação musical, como o Finale, Sibelius, Capella e MuseScore, e foi desenvolvido justamente para facilitar o tráfego de informações entre diferentes aplicativos. Isso significa que o usuário pode abrir seu Finale, compor ou editar uma obra, salvar no formato proprietário do seu software e exportar uma versão no formato MusicXML (extensão .xml), que poderá ser entendida por um aplicativo de notação musical de outro fabricante. Ou, como no caso em questão, ser enviada para o Delius, que armazenará uma cópia e permitirá a conversão para Braille. A ferramenta criará, com isso, uma versão em arquivo de texto (.txt) que, ao ser enviado para uma impressora braille, deverá ter como resultado final a partitura esperada.

O uso da ferramenta é gratuito, e seu uso estimulado. Tem sido necessário mais voluntários que possam avaliar se os resultados obtidos atendem ao esperado e quais pontos podem ser melhorados.








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Tuesday, September 15, 2009

O senador Eduardo Azeredo demonstra, com suas investidas relacionadas à internet, que acredita que traduzir o ético e o anti-ético para o âmbito legal pode ser uma solução eficaz para doutrinar as pessoas para que pensem e ajam corretamente. Não sendo suficiente o absurdo que envolve tais questões, ele ainda se propõe a desafiar a entidade mais democrática que já existiu na superfície do planeta, que é a internet. Uma entidade tão peculiar e tão além da sua real compreensão político-social que não é objeto de pauta frequente o fato de que ela é capaz de simplesmente omitir ou até desprover uma opinião da localização geográfica de uma fonte. Supôr que um sítio da internet que promove uma determinada idéia e que forma opiniões não precisa nem estar sitiado na superfície do planeta Terra é o suficiente para demonstrar como não existe na cabeça de tal político uma visão do mundo que cerca seu jardim. O que sugere também que suas muralhas erguidas sob os alicerces legais não pretendem proteger uma população medíocre e indefesa, e sim um calhamaço de ideais particulares antologicamente presos a um regime militar de poder quase irrelevante aos olhos do Brasil contemporâneo.

Servido de uma porcaria para comentários e consequentemente atendendo à possível demanda de um direito de resposta, cumprindo portanto as estúpidas exigências legais, esse blog expõe o meu repúdio à forma com que está sendo utilizada a legislação brasileira no sentido de coibir a manifestação da população, não só no ato de manifestar-se mas também de agir.

A crescente prática de transformar em proibido qualquer ação que não necessariamente prejudique o próximo mas que julgue o referido autor como um potencial criminoso é um grilhão transparente que amarra a população ao pé da mesa e a transforma em um animal doméstico, porém sem um dono definido.

Beba e dirija, fume no banheiro, transe com a sua filha ou com seu coroinha, compre uma lata de chicharro e faça com ela uma pizza de atum, peide silenciosamente e aponte para um cachorro. Mas respeite o próximo. Se conseguir fazer isso tudo respeitando o próximo, não será merecedor de penalidades, mas sim de louros, juntamente com muitos outros que hoje em dia se aproveitam do mesmo modelo de pensamento, mas tirando proveito de sacanagens ainda não tão dicionarizadas.

A guerra contra o terror devia começar de baixo pra cima, impedindo que tais influentes MENCIONEM usar a máquina legal como uma arma contra a população. Ninguém é obrigado a se sentir oprimido por manifestar contra ou a favor de uma pessoa, uma instituição, uma lei ou uma medida adotada. Ninguém é obrigado a acreditar nas práticas determinadas como corretas por seus governantes - isso permitiria às pessoas muitas coisas, desde abrigar um judeu foragido de um campo de concentração até recusar que uma vacina duvidosa para a cura de um suposto virus letal seja injetada em seu corpo.

Ao dizerem no senado que "caiu a censura na internet", assumiram obrigatoriamente a existência dessa censura. Algo que está muito fácil de ser percebido por aí. Algo que vai contra todos esses princípios americanóides aos quais fomos espostos nas últimas décadas, e que acabaram por transformar em nosso o tal do estúpido sonho americano, que é baseado numa tal liberdade que é feita de um pouco mais do que escolher livremente qual dos doze canais abertos da televisão sua família assistirá.

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Monday, August 31, 2009

Os aromas e as memórias

Uma tia minha, que era velhinha, tinha na casa dela um cheiro muito particular. Quando eu ia visitar ela sempre reparava. Na casa inteira tinha aquele cheiro. Não era ruim, mas não era também agradável. Com o tempo acabei gostando. Volta e meia sentia esse cheiro em outro lugar e gostava, porque me lembrava dela.
Outro dia eu estava comendo em uma padaria aqui perto de casa, sentado próximo aos banheiros. Eis então que, ao abrir de uma das portas, veio aquele cheiro de naftalina forte. A maioria das pessoas fez cara feia. Ouvi reclamações até.

Eu era o único ali que, feliz da vida, me imaginei comendo a comida da titia.

Monday, August 17, 2009

Mais um filme de fim de mundo vai ser lançado aí essa semana. Achava que isso retratava um medo do povo, de que algo cataclísmico ocorra e mate muita gente, mas não é bem isso não. É um desejo mesmo. Não necessariamente das mortes em si, mas de uma vida mais emocionante.

Uma vez que o ser humano se nega fazer parte da cadeia alimentar, só pode se colocar na condição de vítima ante aos perigos ainda ditos como maiores do que a capacidade humana - as forças da natureza ainda mantêm esse posto.

E hoje em dia, na época dos reality shows, não é suficiente apenas assistir. O povinho quer participar. Quer que hollywood se espalhe pelas ruas de todas as cidades. Assim todo mundo pode ser o ator de um filme, ou de uma novela que passa todo dia na tevê. Um herói de filme de fim de mundo. Sua arma é uma bisnaguinha de álcool em gel.

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Tuesday, August 11, 2009

socorro o caralho...
socorro não é coisa que se peça...